Tecnologias assistenciais e sistematização d assistencia em enfermagem

Humanização na Atenção à Saúde do Idoso Humanization in Elderly Health Care Thais Jaqueline Vieira de Lima Mestranda do Programa de Pós-graduação em Odontologia Preventiva e Social da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”. Faculdade de Odontologia de Araçatuba. Endereço: Rua José Bonifácio, 1193, CEP 1 6015-050, Araçatuba, SP, Brasil. E-mail: [email protected] com. br Resumo O artigo discute as p Ica PACE 1 ações governamenta que, embora o tema discussões e que, inc líticas, estratégias e úde do idoso, visto resente em várias da tão aclamada

Política Nacional de Humanização, esses pacientes enfrentam, ainda, vários obstáculos para assegurar alguma assistência ? saúde. À desinformação e ao desrespeito aos cidadãos da terceira idade somam-se a precariedade de investimentos públicos para atendimento às necessidades específicas dessa população, a falta de instalações adequadas, a carência de programas específicos e de recursos humanos.

Dessa forma, faremos uma reflexão sobre a humanização na assistência à saúde focada nessa população, primeiramente fazendo um resgate da humanização os diversos cenários do setor saúde, considerando a valorização dos diferentes sujeitos implicados nesse processo, para que o cuidado dessa especial e crescente fatia da população seja realizado de forma humanizada, visto ser este um paciente especial que requer um atendimento diferenciado. Palavras- chave: Humanização da assistência; Qualidade da assistência em Assistência a idosos.

Renato Moreira Arcieri professor do programa de pós-graduação em Odontologia Preventiva e Social e Professor Assist. Doutor do Departamento de Odontologia Infantil e Social da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”. Faculdade de Odontologia de Araçatuba SP, Brasil. E-mail: [email protected] unesp. br Cléa Adas Saliba Garbin Vice-coordenadora do Programa de Pós-graduação em Odontologia preventiva e Social e professora Adjunto do Departamento de Odontologia Infantil e Social da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”.

Faculdade de Odontologia de Araçatuba. Endereço: Rua José Bonifácio, 1193, CEP 1 6015-050, Araçatuba, SP, Brasil. E-mail: [email protected] unesp. br Suzely Adas Saliba Moimaz Professora do Programa de Pós-graduação em Odontologia preventiva e Social e professora Adjunto do Departamento de Odontologia Infantil e Social da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”. Faculdade de Odontologia de Araçatuba. Endereço: Rua José Bonifácio, 1 193, CEP 1 6015-050, Araçatuba, SP, Brasil.

E-mail: [email protected] unesp. br 866 Saúde Soc. São Paulo, v. 19, n. 4, p. 866-877, 2010 Abstract The artlcle discusses the assistance practices, policies, strategies and actions that the Brazilian government has formalized for the elderlYs health_ Although the subject “humanization” is present in several discussions and has become the guideline of the much acclaimed National Humanization Poli these patients still face manv obstacles in order t h assistance.

To the PAGF ag health assistance. To the disinformation and disrespect for elderly citizens are added the precariousness of public Investments directed to the specific needs of this population, the lack of adequate infrastructure, the scarclty of specific programs and even of human resources. Therefore, we Will make a reflection on humanization in health assistance focused on this population.

First, we Will revisit humanization in different scenarios of the health field, considering the importance given to the different ubjects involved in this process, so that the care for this special and growing population is provided in an humanized way, since this is a special patient that requires differentiated care. Keywords: Humanization of Assistance; Quality of Health Care; public policies; Care for the Elderly.

Introdução O envelhecimento populacional é um fenômeno mundial e, no Brasil, as modificações se dão de forma radical e bastante acelerada, processo que, do ponto de vista puramente demográfico, deve-se unicamente ao rápido e sustentado declínio da fecundidade. As projeções mais conservadoras ndicam que em 2020 já seremos o sexto país do mundo em número de idosos, com um contingente superior a 30 mllhbes de pessoas (Carvalho e Garcia, 2003).

O Brasil hoje é um jovem pais de cabelos brancos. Todo ano, 650 mil novos idosos são incorporados à população brasileira, a maior parte com doenças crônicas e alguns com limitações funcionais. De 1960 a 1975, o número de idosos passou de 3 milhões para 7 milhões e, em 2006, para 17 milhões — um aumento de 600% em menos de 50 anos (Veras, 2007). Além dessa constatação, atualmente têm-se observado, nas relações que a sociedade estabelece co 007).

Além dessa constatação, atualmente têm-se observado, nas relações que a sociedade estabelece com o idoso, não apenas uma mudança de valores, mas um aumento da esperança de vida, passando o idoso a ser merecedor de cuidado e atenção especiais inexistentes nos últimos dois séculos. A mudança se deve ao arsenal tecnológico que a medicina dispõe devido ao seu crescente progresso, favorecendo a longevidade e contribuindo, dessa maneira, como um dos fatores para o aumento significativo da população idosa, passando as doenças crônicas a serem enfrentadas com mais tranquilidade do que no passado.

No entanto, cotidianamente, os idosos brasileiros vivem angústias com a desvalorização das aposentadorias e pensões, com medos e depressão, com a falta de assistência e de atividades de lazer, com o abandono em hospitais ou asilos, além de enfrentar, ainda, todo o tipo de obstáculos para assegurar alguma assistência por meio de planos de saúde. ? desinformação, ao preconceito e ao desrespeito aos cidadãos da terceira idade somam-se a precariedade de investimentos públicos para atendimento às necessidades específicas da população idosa, a falta de nstalações adequadas, a carência de programas específicos e de recursos humanos, seja em quantidade ou qualidade (Parahyba e Simões, 2006). Dessa forma, ao atender o idoso, a equipe de saúde deve estar atenta a uma série de alterações saúde soc. sao Paulo, v. 19, n. 4, p. 866-877, 2010 867 ffsicas, psicológicas e sociais que normalmente ocorrem nesses pacientes, e que justificam um cuidado diferenciado (Brasil, 1999).

Esses profissionais têm um importante papel com o idoso, pois acredita-se que, através de uma relação empática profissionais têm um importante papel com o idoso, pois credita-se que, através de uma relação empática, haja uma assistência humanizada e um comprometimento com o cuidado personalizado, garantindo o seu equillbno físico e emocional (Franco e col. , 1999). Além disso, atualmente discute-se a necessidade de humanizar o cuidado, a assistência e a relação com o usuário do serviço de saúde.

O SUS instituiu uma política pública de saúde que, apesar dos avanços acumulados, hoje ainda enfrenta fragmentação do processo de trabalho e das relações entre os diferentes profissionais, fragmentação da rede assistencial, precária interação nas equipes, burocratização e erticalização do sistema, baixo investimento na qualificação dos trabalhadores, formação dos profissionais de saúde distante do debate e da formulação da política pública de saúde, entre outros aspectos tão ou mais importantes do que os citados aqui, resultantes de ações consideradas desumanizadas na relação com os usuários do serviço público de saúde (Oliveira e col. , 2006).

Dessa forma, o desafio do Brasil para o século XXI é oferecer suporte de qualidade de vida para essa imensa população de idosos, na sua maioria de nivel socioeconômico e educacional baixo e com prevalência de doenças crônicas e ncapacitantes (Ramos, 2003). perante esse panorama, justifica- se a reflexão sobre a humanização na assistência à saúde, considerando a valorização dos diferentes sujeitos implicados nesse processo. Também se torna necessário repensar as politicas e práticas de assistência ao idoso para que o cuidado dessa especial e crescente fatia da população seja realizado de forma humanizada, visto ser este um paciente PAGF s OF ag população seja realizado de forma humanizada, visto ser este um paciente especial que requer um cuidado diferenciado, razão do objetivo do presente trabalho.

A Humanização na Atenção à Saúde Antes de qualquer coisa, é importante salientar a distinção entre o “modelo de cuidar” e o “modelo assistencial”, pois são termos essenciais para o pleno entendimento e maior compreensão da temática “humanização”. O “modelo de cuidar é uma atividade intelectual deliberada, pela qual a prática do atendimento é implementada de forma sistemática e ordenada, sendo uma tentativa de melhorar a assistência. É baseada em crenças, valores e significados no processo de viver dos envolvidos no seu cotidiano (Teixeira e Nitschke, 2008). Já o “modelo assistencial” ? uma construção histórica, política e social, organizada num contexto dinâmico para atender aos interesses dos grupos sociais. ? uma forma de organização do Estado e da sociedade civil, instituições de saúde, trabalhadores e empresas que atuam no setor para produzir serviços de saúde (Lucena e col. , 2006). Está em evidência um novo modelo assistencial das estratégias de atenção e gestão no SUS e de formação dos profissionais de saúde. Assim, muito se tem discutido a respeito da humanização na assistência à saúde, provavelmente devido à sua fundamental relevância, uma vez que é baseada em rinc[pios como a equidade, integralidade da assistência, dentre outros, resgatando, assim, a valorização da dignidade do usuário e também do trabalhador.

Assim, sugere-se que, sob a influência do movimento de humanização, a integralidade assistencial possa ser desenvolvida, não apenas como superação de dicotomas técnicas entre preventivo assistencial possa ser desenvolvida, não apenas como superação de dicotomias técnicas entre preventivo e curativo, entre ações individuais e coletivas, mas como valorização e priorização da responsabilidade pela pessoa, do zelo e da dedicação profissional or alguém, como outra forma de superar os lados dessas dicotomias. Isto é, a humanização induz a pensar que não é possível equacionar a questão da integralidade sem valorizar um encontro muito além de soluções com modelos técnicos de programação de “oferta organizada” de serviços (Pu ccini e Cecílio, 2004).

Deslandes (2004) analisa brilhantemente o discurso do Ministério da Saúde sobre a humanização da assistência e acredita que, apesar da polissemia do conceito de humanização da assistência e da amplltude possível das prátlcas que se autointitulam como “humanizadoras”, esse projeto/ rocesso pode propiciar uma contribuição para a melhoria da qualidade da atenção prestada. Pode significar um novo modelo de comunicação entre profissionais e pacientes e quiçá novas práticas cuidadoras. 868 saúde soc. sao Paulo, v. 19, n. 4, p. 866-877, 2010 Destaca, ainda, dois pontos dessa proposta que acredita merecer ainda maior reflexão. O primeiro diz respeito à concepção da suposta díade “tecnologia e fator humano”.

Superar tal leitura é etapa rumo à construção de um olhar ampliado sobre a produção do cuidado em saúde, incluindo as tecnologias leves no arsenal os saberes e competências de saúde. O segundo concerne ? questão da mudança cultural e dos meios sugeridos para tal, especialmente a proposta de maior capacidade comunicativa como fundante de uma assistência humanizada. Tais ideias serão inócuas se não forem valo PAGF 7 ag inócuas se não forem valorizadas as expressões das expectativas e demandas dos próprios usuários-pacientes, reconhecendo sua autonomia e legitimidade simbóllcas, cujas manifestações, a princípio, não são delegáveis a tradutores-intérpretes (Deslandes, 2004).

Refletir acerca do cuidado na perspectiva da tecnologia eva a repensar a inerente capacidade do ser humano de buscar inovações capazes de transformar seu cotidiano, visando uma melhor qualidade de vida e satisfação pessoal. Somando- se a isso, as inovações tecnológicas também favorecem o aprimoramento do cuidado em saúde, tornando-o mais eficiente, eficaz e convergente aos requerimentos do ser cuidado (Rocha e col. , 2008). Assm, o cuidado e a tecnologia possuem aproximações que fazem com que o cuidado, resultante de um trabalho vivo em ato, sistematizado e organizado cientificamente, favoreça a manutenção da vida, proporcione conforto e bem- star e contribua com uma vida saudável (Rocha e col. , 2008).

Segundo Oliveira e colaboradores (2006), humanizar a assistência em saúde implica dar lugar tanto à palavra do usuário quanto ? palavra dos profissionais da saúde, de forma que possam fazer parte de uma rede de diálogo que pense e promova as ações, as campanhas, os programas e as políticas assistenciais a partir da dignidade ética da palavra, do respeito, do reconhecimento mútuo e da solidariedade. Entretanto, o problema em muitos locais é justamente a falta de condições técnicas, seja por alta de capacitação ou materiais, tornando o atendimento desumanizante pela má qualidade, resultando num atendimento de baixa resolubilidade.

Essa falta de condiçõ PAGF 8 OF ag pela má qualidade, resultando num atendimento de baixa resolubilidade. Essa falta de condições técnicas e materiais também pode induzir à desumanização na medida em que profissionais e usuários se relacionem de forma desrespeitosa, impessoal e agressiva, piorando uma situação que já é precária. É o que se vê na maioria das Unidades de Saúde, onde os espaços físicos são improvisados, inadequados e em péssimo estado de onservação, afetando negativamente a recepção dos usuários, interferindo na qualidade dos atendimentos e, muitas vezes, impedindo ou impossibilitando a privacidade dos procedimentos.

Além disso, a ausência de um ambiente adequado, a falta de recursos humanos e a deficiência na qualidade e quantidade de materiais desmotivam o profissional para uma mudança de atuação (Simões e col. , 2007). O profissional da saúde é o responsável pela melhoria da qualidade da assistência e consequente satisfação do usuário; entretanto, deve-se pensar na produção de cuidados e práticas humanizadoras levando- e em conta as especificidades desse oficio que envolve a utilização intensiva de capacidades fisicas e psíquicas, intelectual e emocional, incluindo troca de afetos e de saberes. O trabalho em saúde pressupõe patrimônio e demanda necessanamente a socialização, a cooperação e a conformação de grupos e redes.

Somem-se ainda as exigências contemporâneas de uma incessante e rápida incorporação de novos conhecimentos e tecnologias e do desenvolvimento contínuo de habilidades comunicacionais e de manejo de informações. Isso sem contar a convivência diária com toda forma de sofrimento e a profunda e rremediável implicação com o universo da saúde e da doença, da vida e da sofrimento e a profunda e irremediável implicação com o universo da saúde e da doença, da vida e da morte e as inevitáveis repercussões no corpo e na mente (Hennington, 2008). No ambiente hospitalar, a humanização ainda mantém se enfatizada na figura pessoa-cliente, evidenciando a pouca atenção ao cuidado e à humanização do sujeito-trabalhador.

A temática em questão é bastante abordada na literatura, porém, na realidade prática, como envolve mudança de comportamento, somente poderá se efetivar mediante a internalização da roposta de humanização pelos sujeitos-trabalhadores das instituições de saúde (Amestoy e col. , 2006). Porém, não se justifica que os profissionais inseridos na assistência, qualquer que seja o seu lócus de atuação, deixem de insistir na construção de novos saúde soc. sao Paulo, v. 19, n. 4, p. 866-877, 2010 869 espaços e novos modelos fundados no diálogo, os quais possam reverter a soberania da técnica, em detrimento da intersubjetividade (Carvalho e col. , 2008).

Já o cuidado prestado nas unidades de terapia intensiva (UTI) é, de certa forma, paradoxal. Em algumas situações, é preciso provocar dor para que se possa recuperar e manter a vida; em outras situações, não se pode falar, apenas cuidar. O cuidado, num caso desses, parece não implicar uma relação de troca, devido à imobilidade ou falta de diálogo e interação com o outro. Sendo assim, é possível pensar que exista, por parte dos profissionais de saúde dessas unidades, uma robotização/mecanização das ações e práticas de cuidado (Souza, 2000). Isso motivou o estudo de Pinho e Santos (2008), cujo objetivo era desvelar contradições no cuidado humanizado do enfermelro na IJTI, onde, através

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