Infância ludicidade e letramento

Tema: infância Ludicidade e letramento Palavras-chaves: aprendizagem, linguagem escrita, criança. 1 -INTRODUÇAO Evidenciando a necessidade de um embasamento teórico para ressignificar a ação pedagógica do educador infantil, é importante que se faça uma reflexão trabalho, fornecer uma reflexão sobre como acontece à apropriação, por parte das crianças, das práticas de letramento, isto é, uso social da leitura e da linguagem escrita, colocando as atividades lúdicas como elemento mediador dentro deste processo.

Por se entender que, 27 atividades lúdicas dã upo. , -pe next page dentro do processo d mportância como m infantil, as o da criança -se salientar sua a e desenvolvimento dos processos de letramento dessa criança.

A partir da hipótese de que, pela brincadeira, a criança realiza atividades essenciais para o seu desenvolvimento e que, por meio desse brincar, ela alcança as formas superiores mentais ao mesmo tempo se torna participante efetiva de seu meio sociocultural, passamos então a entender a contribuição do ato de brincar para a aquisição das formas superiores de desenvolvimento, como a apropriação da linguagem escrita e as práticas de letramento nas crianças que ntegram o espaço da educação infantil. – RESGATE HISTORICO DO ELEMENTO LUDICO As primeiras reflexões sobre a importância do brincar e a aprendizagem origina-se na antiguidade, Grécia e Roma, surge da idéia do relaxamento, necessário as atividades que exigem por outro, Aristóteles sugeria que a criança aprendia brincando com os jogos que imitavam atividades adultas como forma de preparo para a vida futura. Entretanto, não se discutia, nessa época, o emprego do jogo no ensino da leitura e do cálculo.

Só posteriormente, no período da Renascença, essa preocupação aparece, quando escritores como Horácio e Quintiliano, presentam jogos de leitura, com letras feitas de guloseimas por doceiras romanas, espécie do que hoje denominamos alfabeto móvel, utilizado por eles no ensino da leitura e ingerido pelas crianças como forma de introdução e digestão do conhecimento das primeiras letras.

Na Idade Média, passa-se por um período em que o desenvolvimento de atividades lúdicas: jogos, brincadeiras e exercícios físicos são equiparados elevação da alma ao mundo das idéias. Com o advento do Renascimento, surgem outras concepções pedagógicas, nas quais a felicidade é considerada legitima oncebe-se brincadeira como conduta livre que favorece o desenvolvimento da inteligência e facilita o estudo, divulga princípios de moral, ética e contempla os conteúdos escolares.

Ao atender as necessidades infantis o jogo torna-se forma lúdica adequada para aprendizagem dos conteúdos escolares. No século WIII, ocorre a popularização das brincadeiras e dos jogos educativos. Nesse período, quando predominava a produção de bens rurais, o brincar coletivo constituía uma atividade comum a adultos e crianças, característico por ser corporal socializado e prescindir de objetos elou brinquedos.

Ainda hoje, em regiões em que a sociedade rural é forte, esse brincar coletivo persiste, como elemento da cultura, do riso e do folclore local. As conquistas da Revolução Industrial, o domínio da tecnologia e a muda 2 7 do riso e do folclore local. As conquistas da Revolução Industrial, o domínio da tecnologia e a mudança da concepção de vida fundada, agora, no individualismo, no utilitarismo e no trabalho, na produção e eficiência alteraram-se a organização e a consciência social.

Assim, o elemento lúdico é arrancado do cotidiano adulto e adquire lugar apenas junto ao cotidiano infantil. Petri(2000) .. brincar modifica-se segmenta-se e passa a fazer parte da vida infantil, uma vez que a infância passa a se constituir como fase importante do desenvolvimento do ser humano, é dotada de especificidade e que a criança adquire identidade própria dentro do contexto social, neste período.

Concomitantemente, por volta do inicio do século XIX, surge o brinquedo industrializado, tão bem estudado por Brougére (2004), que transforma o brincar em uma atividade solitária para criança, em função do apelo ao consumo de brinquedos. Neste período, a escola, com objetivos educacionais demarcados, passa a fazer so pedagógico do brincar, didatizando-o de maneira forçada e Incoerente.

Nesse âmbito, no século XX, desabrocha a Psicologia nfantil com a Produção cientifica de pesquisas e teorias que debatem a importância de brincar para o desenvolvimento infantil, como a psicogenética de Piaget A partir dos estudos da epistemologia genética de Piaget (1978), é pela brincadeira e pela imitação que se dá o desenvolvimento cognitivo e a aprendizagem da criança, que obedece a estágios estruturais, no qual a imaginação criadora surge em forma de jogo, instrumento preliminar de pensamento e enfrentamento da realidade. ra o autor, a brincadeira é concebida como conteúdo da inteligência, tida como conduta livre, espontânea, que a criança expressa por v 27 como conteúdo da inteligência, tida como conduta livre, espontânea, que a criança expressa por vontade própria e pelo prazer que proporciona. Assim, como conduta lúdica, demonstra o nível de estágio cognitivo em que a criança está, devido ao predomínio de um tipo de jogo diferenciado: jogo de exercício (motor), jogo de expressão (linguagem), jogo simbólico (faz de conta, representação), jogo de construção (montagem) e jogo de regra (passo a passo, normatização).

Na perspectiva de Wgotsky (1989), que concebe o mundo como resultado de processos histórico-sociais que alteram, não só o modo de vida da sociedade mas também o modo de pensar do homem, o jogo infantil e as brincadeiras são resultados de processos sociais. Neste sentido, o brincar é uma atividade sociocultural livre e origina-se nos valores, hábitos e normas de uma determinada comunidade ou grupo social.

Sua natureza é sociocultural, na medida que as crianças brincam com aquilo que elas Já sabem ou imaginam que sabem sobre as formas de relacionar-se, de amar e de odiar, de trabalhar, de viver em grupos e sozinhas, de interagir com natureza e com os fenômenos físicos, de um determinado grupo social, que pode ser sua família, a comunidade à qual pertencem elou outras realidades. Desse modo, de acordo com o autor, a brincadeira, na fase pré-escola, é atividade de suma importância, porque favorece a socialização do indivíduo e promove as mais importantes mudanças no desenvolvimento psíquico e na personalidade da criança. ara Bruner (1986), a brincadeira da criança aparece como um processo relacionado a comportamentos naturais e sociais Assim, o termo brincar é adotado como um laboratório do pensamento infantil constituído por uma linguagem simbólica ingu 4 27 adotado como um laboratório do pensamento infantil constituído por uma linguagem simbólica singular apoiada em brinquedos, objetos de uso cotidiano, materiais de construção e baseada em regras que estejam diretamente associadas à infância.

O brincar funciona como cenário no qual a criança se constitui como sujeito que atua e cria a partir de seu potencial de desenvolvimento, elaborando seu próprio conhecimento. 3-CRIANÇA LUDICA POR NATUREZA Na infância, a imaginação, a fantasia, o brinquedo não são atividades que podem se caracterizar apenas pelo prazer que proporcionam. Em seus jogos, as crianças reproduzem muito daquilo que experimentam na vida diária, porém, as atividades infantis não se esgotam na mera reprodução.

Isso porque as crianças nao se limitam a recordar e reviver experiências passadas quando brincam, elas as reelaboram criativamente, combinando-as entre si e edifi caçando novas possibilidades de interpretação e representação do real, de acordo com suas afeições, suas necessidades e seus desejos. O sensorial, frequentemente empobrecido na experiência dos adultos, torna-se para a criança uma realidade que anula a diferença entre objetos inanimados e seres vivos. Contrapondo- se ao mundo dos adultos, a criança vai à busca de outros aliados.

Estes são encontrados mais facilmente no mundo dos fenômenos. Invertendo a ótica daqueles que a cercam, apropria- se com interesse e paixão de tudo o que é abandonado pelos mais velhos. Aprende a fazer história do lixo da história (SOUZA 1997,p. 149). A estreita relação existente entre o ato de brincar e a capacidade criadora nos aponta a importância da brincadeira em relação ao desenvolvimento da criatividade. A presença da brincadeira, durante a infância, s 7 em relação ao desenvolvimento da criatividade.

A presença da brincadeira, durante a infância, é um elemento constante em todos os grupos sociais, sem restrições de classe econômica, raça, sexo, ou religião. Dentro de uma mesma cultura, as crianças brincam com tema comuns: educação, relações familiares e vários papéis que representam as pessoas que integram essa cultura. Os temas, geralmente, representam o ambiente das crianças, aparecendo no contexto da vida diária. Quando o contexto muda, as brincadeiras também mudam. Poderíamos dizer então que o ambiente é a condição para a brincadeira e, por conseguinte, ele a condiciona.

Cada tempo histórico possui uma hierarquia de valores que oferece uma organicidade a essa heterogeneidade. São esses valores que orientam a elaboração de um banco de imagens culturais que se refletem nas concepções da criança e seu brincar. (KISHlMOTO,1993 7). uma das evidências que salta aos olhos de qualquer pessoa ao observar uma criança é o fato de que ela brinca. Pode-se até dizer que acriança possui a capacidade de transformar todos os seus atos em alguma brincadeira: ela brinca ao se vestir, quando se alimenta, ao se relacionar com outros, etc..

Assim, brincar é um dos aspectos mais importantes a infância: ao lado do atendimento das necessidades básicas de nutrição, saúde, habitação, educação, é a brincadeira a atividade que permite que a criança desenvolva nos primeiros anos de vida, todo o potencial que tem. Quando a criança participa de uma brincadeira, em parte para preencher momentos vagos, sua escolha é motivada por processos internos: desejos, problemas, ansiedades.

O que se passa na mente da criança determina suas necessidades lúdicas; brincar é sua linguagem secreta, que se 6 27 passa na mente da criança determina suas necessidades lúdicas; rincar é sua linguagem secreta, que se deve respeitar, mesmo que não a entendamos. Sendo a brincadeira uma forma de a criança expressar-se e compartilhar significados, por meio dela, ela aprende a atuar numa esfera cognitiva. A criança conta histórias, conta objetos, faz desenhos e começa a criar significados. O brincar caracteriza-se numa atividade espontânea, natural e inerente à criança.

Seu papel transcende ao mero controle das habilidades, sua importância é imensuravel, já que pelas atividades lúdicas, a criança não só se apropria do mundo dos adultos, mas lança as bases para a apropriação do seu próprio undo. É, portanto, na situação de brincar que as crianças se podem colocar desafios e questões além de seu comportamento diário, levantando hipóteses na tentativa de compreender os problemas que lhes são propostos pelas pessoas e pela realidade com a qual interagem.

Quando brincam, ao mesmo tempo em que desenvolvem a imaginação, as crianças podem construir relações reais entre elas e elaborar regras de organização e convivência. Concomitantemente a esse processo, ao reiterarem situações de realidade,modificam-nas de acordo com suas necessidades. Ao brincarem, as crianças vão construindo a consciência da ealidade, ao mesmo tempo em que já vivem uma possibilidade de modificá-la.

No entanto, devemos ter claro que aquilo que pode ser de grande interesse para um bebê, deixa de ser interessante para uma criança um pouco maior. Assim, a maturação das necessidades torna-se aspecto de extrema relevância, já que é impossível ignorar que a criança satisfaz certas necessidades no brinquedo Ainda com a premissa da maturação das necessidades infantis como necessidades no brinquedo como tópico predominante, podemos entender a criança como um ser em desenvolvimento, que não dispõe o tempo todo das esmas ferramentas e da mesma competência.

Isso faz com que a brincadeira se estruture em parte no que ela é capaz de fazer. A capacidade de tomar posição diante da realidade cotidiana -confirmá-la, negá-la ou alterá-la – confere enormes poderes ? criança,permltindo-lhe a criação de obras de maginação – sejam elas produtos artísticos ou teorias sobre o mundo. Compreendida dessa forma, a brincadeira infantil passa a ter uma importância fundamental na perspectiva de trabalho pré- escolar, considerando a criança como sujeito histórico e social.

Se a brincadeira é, efetivamente, uma necessidade de organização nfantil ao mesmo tempo em que é o espaço da interação das crianças, quando elas podem estar explorando suas relações familiares, assim como as relações com a fala, o corpo, a escrita, para citar alguns dos temas mais importantes, então esta brincadeira se transforma em fator educativo se, no processo pedagógico, for utilizada pela criança, para sua organização e trabalho.

Todavia, essa atividade não surge espontaneamente, mas sob a influência da educação, geralmente informal no início, em contatos com familiares, ou em grupos informais de crianças. Evidencia-se, assim, a importância das atividades lúdicas entro do contexto de vida infantil, capazes de proporcionarem às crianças a oportunidade de formar conceitos, selecionar idéias, estabelecer relações lógicas, integrar percepções, fazer estimativas compatíveis com o seu crescimento físico e desenvolvimento. O fundamental, porém, é que a criança vai se soci 8 7 com o seu crescimento físico e desenvolvimento.

O fundamental, porém, é que a criança vai se socializando. Dentro desse contexto, brincar não constitui, de modo algum, perda de tempo, nem é simplesmente uma forma de preencher o tempo. A criança que não tem oportunidades de brincar está como um “peixe fora ‘agua”. Com relação à natureza das regras, segundo Vygotsky (1991), não existem brinquedos sem regras, sendo que a situação imaginária de qualquer forma de brinquedo já contém regras de comportamento, embora possa não ser um jogo com regras formais estabelecidas a priori.

Da mesma forma que uma situação imaginária tem que conter regras de comportamento, todo jogo, com regras, contém uma situação imaginária. Friedmann (1996) classifi ca as brincadeiras infantis, segundo a prática de regras, em quatro estág os: Primeiro estágio: motor e individual (O a 2 anos) — Não se pode falar senão de egras motoras; aqui não há regras propriamente coletivas. Segundo estágio: egocêntrico (2 a 5 anos) – A criança joga tanto sozinha, sem se preocupar em encontrar parceiros, como com os outros, sem se preocupar em vencê-los.

Cada criança brinca sozinha, mesmo quando acompanhada de outras, sem cuidar da codificação das regras. Terceiro estágio: cooperação (7 a 10 anos) – Cada jogador procura vencer seus vizinhos. Aparece a necessidade de controle mútuo e da unificação de regras. As informações dadas sobre as regras do jogo são diferentes e contraditórias. O divertimento específico do ogo torna-se social. Quarto estágio: codificaçã 11 a 12 anos) – As partidas 2? pormenores do procedimento, pois o código de regras a ser seguido é conhecido por toda a sociedade.

No mundo lúdico, a criança encontra equilíbrio entre o real e o imaginário, alimenta sua vida interior, descobre o mundo e torna-se operativa. Pelas das brincadeiras, a criança seleciona e apropria-se de elementos da cultura adulta, incorporando-os ao seu universo infantil. Brincar, para ela, é meio de expressão, é forma de integrar-se ao ambiente que a cerca. Por meio das atividades 1 údicas, a criança ssimila valores, adquire comportamentos, desenvolvendo diferentes Éreas de conhecimento. mportante salientar que, quanto mais rica for a vivência da criança, mais substanciais serão os seus jogos. O poder do jogo, de criar situações imaginárias, permite à criança ir além do real, o que colabora para seu desenvolvimento. No jogo simbólico, a criança é mais do que é na realidade, permitindo-lhe o aproveitamento de todo o seu potencial. Nele, a criança toma iniciativa, executa, avalia. O poder simbólico do jogo do faz – de conta abre um espaço para a apreensão de signifi cados de seu contexto, e oferece alternativas ara novas conquistas no seu mundo imaginário.

Assim, a forma pela qual a criança constrói conhecimento, na faixa etária que corresponde à Educação Infantil é pelo do jogo, pela brincadeira. Por meio do lúdico a criança aprende a conhecer e compreender o funcionamento do mundo que a envolve. A criança reproduz na brincadeira, no jogo, as impressões que vivencia no seu contexto. Logo, a brincadeira, que caracteriza, claramente, um domínio de atividade infantil, evidencia também clara relação com o desenvolvimento. 4-A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO NO ESPAÇO LUDICO A partir da idéia de que brincar é 0 DF 27